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A jogada de Paulo Figueiredo para “castigar” Gilmar e Moraes na Lei Magnitsky

Estratégia dividida em duas frentes dominou o noticiário brasileiro. Atualizado em 06/07/2026 14:30

por Rodolfo Aiello
julho 6, 2026
em Colunistas, Rodolfo Aiello, Três Poderes

reprodução / Paulo Figueiredo Show

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O jornalista Paulo Figueiredo desistiu de se manifestar pessoalmente durante a audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que começou nesta segunda-feira (6 de julho). Na ocasião, ele defenderia a aplicação de sanções previstas na Lei Global Magnitsky contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

Em postagem na rede social X, Paulo escreveu: “o foco da semana deve ser a participação do Flávio Bolsonaro para lutar contra as tarifas que Lula tanto está cavando. Por isso, em vez de participar pessoalmente da audiência, optei por enviar meus comentários por escrito. Tenho certeza de que Flávio vai brilhar e nos representar.”

reprodução / Paulo Figueiredo “X”

Ao que tudo indica, a decisão de última hora busca evitar “roubar a cena”, como se diz no teatro, permitindo que o senador e pré-candidato à Presidência da República concentre a atenção da imprensa e da opinião pública durante a audiência. Ainda assim, o envio de sua manifestação por escrito, defendendo a aplicação de sanções Magnitsky contra Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, não reduz sua capacidade de influência nos bastidores da Casa Branca nem a relevância de seu pedido perante as autoridades americanas.

O encontro acontece em Washington, D.C., e faz parte da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil com base na Seção 301 da legislação americana. Durante dois dias, representantes da sociedade civil, do setor privado e autoridades convidadas apresentarão argumentos sobre as tarifas adicionais de 25% impostas aos produtos brasileiros.

Os debates serão encerrados na terça-feira (7). Depois da análise dos documentos apresentados e dos depoimentos prestados durante a audiência, o USTR deverá elaborar um relatório conclusivo previsto para ser divulgado em 15 de julho de 2026.

Segundo Paulo Figueiredo, existe uma expectativa de que o parecer técnico do órgão seja desfavorável ao Brasil. Ainda assim, o jornalista afirma que considera importante apresentar um contraponto às posições defendidas pelo governo Lula durante a investigação.

Paulo também ressalta que a palavra final caberá ao presidente Donald Trump, e que tentarão barrar as tarifas na esfera política para que o mandatário norte-americano não adote as recomendações do relatório do USTR, caso o documento recomende a manutenção das tarifas sobre produtos brasileiros.

Além da questão comercial, Paulo defende a ampliação das sanções individuais contra integrantes do Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes deveriam ser incluídos nas punições previstas pela Lei Global Magnitsky, legislação americana utilizada para sancionar autoridades estrangeiras acusadas de graves violações de direitos humanos ou de corrupção.

Paulo Figueiredo tem afirmado em seu programa no YouTube, o Paulo Figueiredo Show, que Gilmar Mendes exerce papel determinante para impedir o avanço de investigações e operações de combate à corrupção no Brasil.

No último dia 3 de julho, uma enquete realizada com sua audiência revelou que 99% dos internautas eram favoráveis a uma sanção Magnitsky contra Gilmar Mendes. Pesquisas recentes indicam uma avaliação predominantemente crítica ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas com nuances sobre sua importância institucional.

Acompanhe os principais levantamentos:

Datafolha (abril): 75% da população avaliam que os ministros têm “poder demais” e 75% acreditam que a sociedade confia menos na Corte hoje do que no passado. Contudo, 71% ainda concordam que o STF é essencial para proteger a democracia.

PoderData (maio/junho): 46% dos eleitores consideram o trabalho dos ministros “ruim” ou “péssimo”, enquanto 15% avaliam como “bom” ou “ótimo”.

Futura/Apex (maio): revelou que 57% dos entrevistados se mostraram favoráveis ao impeachment de ministros do STF.

reprodução / TV Cultura

Recentemente, Gilmar Mendes foi perguntado por uma jornalista, durante a exibição do programa Roda Viva, da TV Cultura, se tinha medo de ser sancionado pela Lei Magnitsky. Com ironia, respondeu que não tinha dinheiro nos EUA, e sim em Portugal, mas que resolveu deixá-lo lá mesmo, já que passa parte de suas férias no país. Acrescentou que é preciso pensar na “soberania” digital dos cartões de crédito para o Brasil não ser refém de empresas estrangeiras.

O ministro Alexandre de Moraes, sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e as empresas da família foram alvo de sanções pela Lei Global Magnitsky impostas pelo governo dos Estados Unidos.

No entanto, em 12 de dezembro de 2025, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos removeu o ministro, sua esposa e o instituto da família da lista de sancionados após um suposto acordo comercial entre os países, com a “ajudinha” de um personagem amplamente conhecido no Brasil: Joesley Batista.

Foto: Agência Brasil/Reprodução/ND

Sanções de perda de vistos também foram aplicadas pelo governo Trump a sete ministros do Supremo Tribunal Federal do Brasil. Além de Alexandre, são eles: Edson Fachin, Flávio Dino, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e o ex-advogado de Lula, Cristiano Zanin. Ficaram de fora Luiz Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques, atual presidente do TSE.

Outro nome diretamente envolvido na audiência pública do USTR/EUA é o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ele será um dos expositores nesta terça-feira (7) e deve defender os interesses do Brasil, argumentando que um eventual tarifaço neste momento beneficiaria a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentará a reeleição, além de prejudicar exportadores e consumidores brasileiros.

O governo brasileiro não teve interesse em participar dos debates, sob a justificativa, não muito convincente, de que a sessão é um espaço de interesse dos setores privado e civil, e não governamental.

O que se pode vislumbrar é uma estratégia bem articulada entre Paulo e Flávio Bolsonaro. Enquanto Lula insiste em uma postura de confronto com os Estados Unidos em meio à crise das tarifas, Flávio procura se consolidar como a principal voz da oposição nas discussões econômicas internacionais, projetando-se como uma alternativa para conduzir a relação entre Brasil e EUA caso seja eleito presidente da República.

De quebra, essa “tabelinha” talentosa entre Paulo e Flávio deixou o presidente Lula muito irritado, que se manifestou por meio de seu perfil oficial no X:

“Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois.”

reprodução / internet

O Itamaraty diz que segue dialogando de forma técnica com os representantes do governo americano, mas, recentemente, Trump, em uma entrevista, disse que Lula é “muito volátil” e que “não poderia se importar menos com o presidente brasileiro”, demonstrando total desprezo pelo chefe de Estado do Brasil e impondo uma enorme barreira aos acordos costurados pela fraca e incompetente diplomacia brasileira.

É o fim da química de uma vez por todas?

Rodolfo Aiello

Rodolfo Aiello

Rodolfo Aiello (MTB 97.613-SP) é jornalista, fundador e colunista do NARRAPODER. Acumula sólida experiência na cobertura e na área governamental. É Doutor Honoris Causa pela Academia de Letras do Brasil (ALB-SP) e cursou Marketing pela FAE Centro Universitário (Curitiba).

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