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Colômbia: Petro é acusado de convocar a esquerda para um golpe de Estado

Atual governo estaria colocando em prática um "plano B".

por Rodolfo Aiello
julho 7, 2026
em Colunistas, Mundo, Rodolfo Aiello

foto gerada po IA

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O presidente eleito Abelardo de la Espriella anunciou a suspensão imediata do processo de transição de governo após afirmar que sua equipe encontrou fortes indícios de corrupção na administração de Gustavo Petro. Além disso, acusou o atual presidente de tentar promover um golpe de Estado para permanecer no poder.

Segundo matéria do portal Metrópoles, assinada pela jornalista Gabriela Martins, De la Espriella afirmou que Petro e seus aliados estariam colocando em prática um “Plano B” para impedir sua posse, prevista para ser concluída em 7 de agosto.

Sem apresentar provas, Petro alegou que querem prendê-lo assim que deixar o governo e enviá-lo para a Justiça americana, onde faria companhia a Nicolás Maduro. O correspondente internacional Ivan Kleber relatou que Abelardo De la Espriella se recusa a assinar um documento comprometendo-se a não extraditar Petro para os EUA. Diante desse cenário, Petro convocou a militância para uma “união contra um governo ilegítimo”.

Gustavo Petro – Divulgação / Presidência da República da Colômbia

Em pronunciamento público, De la Espriella declarou que não pretende mais participar do processo de transição após sua equipe afirmar ter identificado indícios de irregularidades no atual governo e supostas tentativas de deslegitimar o resultado das urnas.

A crise ganhou proporções ainda maiores quando o presidente eleito fez um apelo direto às Forças Armadas colombianas para que permaneçam fiéis à Constituição e, segundo ele, não cumpram eventuais ordens que contrariem o resultado das eleições.

As declarações ocorreram depois de Gustavo Petro voltar a levantar suspeitas sobre a legitimidade das eleições presidenciais, alegando a existência de fraude no processo eleitoral. Até o momento, porém, observadores internacionais, incluindo missões da União Europeia, afirmam não ter encontrado evidências que coloquem em dúvida o resultado oficial das urnas.

O episódio chama a atenção porque a esquerda frequentemente acusa seus adversários de atitudes golpistas, mas eles aprenderam a distorcer a realidade com o revolucionário soviético Vladimir Lenin: “Acuse os adversários do que você faz; chame-os do que você é.” E tornaram-se especialistas em “narrativas” para encobrir todo o arcabouço de más intenções do espectro.

A crise na Colômbia também reacende o debate sobre a estabilidade institucional em outros países da América Latina. A Venezuela permanece sendo frequentemente citada por opositores de governos de esquerda como exemplo de concentração de poder e enfraquecimento das instituições democráticas durante o chavismo e o governo ditatorial de Nicolás Maduro.

Aliás, vale lembrar que, em 2023, Nicolás Maduro foi o primeiro chefe de Estado recebido com honras de Estado, incluindo tapete vermelho, no Palácio do Planalto, em Brasília, pelo presidente Lula e pela primeira-dama Janja da Silva. A recepção chamou a atenção por ocorrer em meio às críticas internacionais ao regime venezuelano e foi amplamente repercutida dentro e fora do Brasil.

A Bolívia também atravessa um período de forte polarização política. O país enfrenta sucessivos episódios de tensão envolvendo grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales, incluindo bloqueios de rodovias e confrontos com as forças de segurança, na tentativa de dar um golpe e remover o presidente de direita Rodrigo Paz Pereira, eleito democraticamente.

Na Colômbia, o embate entre o governo que deixa o poder e o presidente eleito transformou a reta final da transição em uma das mais turbulentas da história recente do país.

Agora, todas as atenções se voltam para os próximos dias. A expectativa é de que a posse presidencial ocorra conforme previsto, enquanto governo, oposição, Forças Armadas e comunidade internacional acompanham atentamente os desdobramentos de uma crise que poderá marcar profundamente a democracia colombiana.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), permanece em silêncio diante da escalada da crise política na Colômbia. Até o momento, o Palácio do Planalto não se pronunciou oficialmente sobre as acusações feitas pelo presidente eleito Abelardo de la Espriella contra Gustavo Petro.

Abelardo De La Espriella — Foto: Charlie Cordero/Reuters
Rodolfo Aiello

Rodolfo Aiello

Rodolfo Aiello (MTB 97.613-SP) é jornalista, fundador e colunista do NARRAPODER. Acumula sólida experiência na cobertura e na área governamental. É Doutor Honoris Causa pela Academia de Letras do Brasil (ALB-SP) e cursou Marketing pela FAE Centro Universitário (Curitiba).

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