Enquanto Daniel Ortega decreta o fim da democracia na Nicarágua, o governo Trump reage com firmeza. Na Colômbia, Gustavo Petro questiona o resultado oficial das urnas e aprofunda uma crise institucional que preocupa o continente. Já no Brasil, Lula, que afirma respeitar a alternância de poder, parte para o tudo ou nada na tentativa de completar 16 anos à frente da Presidência da República. Somados aos cinco anos dos governos Dilma Rousseff, seriam 21 anos consecutivos do mesmo grupo político no comando do país, período marcado pelo aumento dos gastos públicos, pela elevação da carga tributária, pelo crescimento da criminalidade e por uma série de escândalos de corrupção.
A América Latina vive um momento de crescente instabilidade política. Em poucos dias, dois episódios colocaram em xeque a democracia na região e reacenderam o debate sobre o avanço de governos alinhados à esquerda autoritária.
Na Nicarágua, Daniel Ortega deu um passo sem precedentes ao anunciar que o país deixará de realizar eleições. Na prática, o regime abandona qualquer aparência de democracia e assume, sem disfarces, a condição de uma ditadura de partido único. O anúncio foi recebido com forte condenação internacional.
Mesmo assim, Petro manteve o discurso de fraude, elevando a tensão política e alimentando o temor de uma ruptura institucional às vésperas da posse presidencial, prevista para 7 de agosto.
Embora os contextos sejam diferentes, os dois casos revelam um padrão preocupante: líderes de extrema esquerda que se apresentam como defensores da democracia, mas enfraquecem a alternância de poder, demonizam a oposição e classificam seus críticos como “traidores da pátria” e “golpistas”. Enquanto acusam adversários, são eles que ampliam a concentração de poder e colocam à prova os próprios limites das instituições democráticas.
A reação firme do governo Trump ao caso da Nicarágua indica que Washington voltou a tratar a expansão de regimes autoritários na América Latina como uma questão estratégica. Resta saber se a mesma disposição será demonstrada caso a crise colombiana continue se aprofundando. Ao mesmo tempo em que demonstra interesse em restabelecer a democracia e as liberdades em Cuba, Trump também coordena a atuação dos Estados Unidos no Oriente Médio, diante do conflito envolvendo o regime dos aiatolás no Irã.
Marco Rubio elevou o tom significativamente
O secretário de Estado do governo Trump afirmou que o anúncio de Ortega demonstra “covardia” e “medo do povo nicaraguense” e classificou o fim das eleições como uma ameaça à segurança nacional dos EUA.
Os EUA podem realizar alguma ação militar em ambos os países?
O que seria possível…
Os EUA dispõem de várias formas de emprego de força, como:
* operações para proteger cidadãos americanos;
* demonstrações de força naval ou aérea na região;
* apoio de inteligência e logística a países aliados;
* operações autorizadas pelo presidente, em determinadas circunstâncias, para proteger interesses nacionais.
A democracia não é colocada em risco apenas quando um golpe é consumado. Ela também é corroída quando líderes eleitos passam a agir como se a vontade popular fosse um detalhe descartável.
O Brasil também entra no radar. À medida que as eleições se aproximam, cresce a preocupação com a integridade do debate público. Nesta semana, a equipe jurídica do PL acionou o Tribunal Superior Eleitoral após afirmar ter identificado uma rede coordenada de perfis falsos utilizada para impulsionar ataques contra o pré-candidato Flávio Bolsonaro. Segundo o partido, o esquema envolveria milhares de contas, publicidade digital de alto valor e indícios de conexões internacionais, circunstâncias que agora são objeto do pedido de investigação apresentado ao TSE.
De acordo com a jurisprudência fixada pelo TSE, o impulsionamento pago nunca pode ser usado para veicular conteúdo crítico, depreciativo ou com ataques a adversários políticos. O dinheiro só pode ser usado para autopromoção.
Se essas suspeitas forem confirmadas pelas autoridades, o Brasil poderá estar diante de uma das mais sofisticadas estruturas de uma organização criminosa digital já reveladas em uma disputa eleitoral. A investigação precisará esclarecer quem financiou a operação, quem a coordenou e se houve participação de agentes públicos, partidos políticos ou até mesmo organizações estrangeiras ou criminosas.
A coincidência temporal chama a atenção. Enquanto a Nicarágua extingue as eleições e a Colômbia enfrenta uma crise institucional após a contestação do resultado eleitoral por Gustavo Petro, o Brasil inicia sua corrida presidencial sob denúncias de uma suposta máquina digital clandestina destinada a influenciar a opinião pública.
Não se pode afirmar, neste momento, qualquer participação do governo Lula nesse suposto esquema. No entanto, caso uma eventual investigação venha a demonstrar o envolvimento de integrantes do Estado ou de estruturas ligadas ao poder político, o país poderá enfrentar uma crise institucional de enormes proporções, aproximando-se de um modelo que parece repetir-se há décadas, mas que agora já não consegue mais se esconder.




