Durante sessão deliberativa na Câmara dos Deputados, realizada na última terça-feira (08/07), o deputado federal Alfredo Gaspar subiu à tribuna e fez críticas pesadas à Polícia Federal no caso que envolve investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.
“Envolvido com o maior ladrão de aposentados e pensionistas do Brasil, o Careca do INSS. Viajaram para a Europa, ele, o filho do presidente da República, com dinheiro pago pelo Careca e, por sua vez, o dinheiro é roubado dos aposentados e pensionistas”, disse Alfredo Gaspar.
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Com muita indignação, o parlamentar denunciou a Polícia Federal, afirmando que o órgão comunicou ao ministro André Mendonça, relator do caso do INSS no STF, que não iria investigar Lulinha antes das eleições de 2026. O deputado ainda afirmou que é assim que o sistema age para proteger aqueles que estão no poder.
“Sabe o que a justiça do Brasil fez até agora com Lulinha? Nada! Impunidade completa e absoluta. É o filho do presidente da República, pode tudo, a lei não alcança, o sistema está aparelhado!”, desabafou.
Lulinha e o “Careca do INSS” / Reprodução
Gaspar foi relator da CPMI do INSS, que investigou fraudes e descontos indevidos contra aposentados e pensionistas, um dos casos mais escandalosos de corrupção envolvendo o governo Lula. Em especial porque seu irmão, Frei Chico (cujo nome de batismo é José Ferreira da Silva), é vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), entidade que, segundo o relatório final da CPMI, descontou um total de R$ 599,5 milhões de beneficiários ao longo de dez anos. Desse montante, R$ 339,5 milhões teriam sido repassados durante o atual mandato presidencial.
Já o filho do presidente Lula, Lulinha, segundo testemunha ouvida pela CPMI, teria recebido uma “mensalidade” de R$ 300 mil por mês do Careca do INSS, além de ter sido sócio oculto dele. A testemunha informou que a empresária Roberta Luchsinger, melhor amiga de Lulinha, seria a intermediadora, fazendo o dinheiro chegar até o filho do presidente.
A quebra de sigilo da empresária foi aprovada pela CPMI em fevereiro de 2026, e os depósitos de R$ 300 mil feitos pelo Careca do INSS foram constatados. No entanto, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a quebra de sigilo em março de 2026. O ministro avaliou que a medida havia sido aprovada em bloco e sem a fundamentação individualizada necessária.
Lulinha e Roberta Luchsinger / reprodução: redes sociais
No entanto, os dados da empresária também foram alvo de uma quebra de sigilo autorizada separadamente pelo ministro André Mendonça, no âmbito de uma investigação da Polícia Federal que apura fraudes envolvendo o “Careca do INSS”. Roberta negou aos investigadores ter repassado valores ilícitos, e sua defesa pediu ao STF o arquivamento do inquérito.
O relatório final do deputado Alfredo Gaspar pediu o indiciamento de 216 pessoas envolvidas no escândalo de roubo contra aposentados e pensionistas.
Antes de o caso vir à tona, Lulinha mudou-se para Madri, na Espanha, de uma hora para outra, levando toda a família. Segundo sua defesa, a mudança ocorreu por questões de segurança, em razão de perseguições, e para cuidar de seus negócios no setor de tecnologia, onde abriu a empresa Synapta.
Se ele teve algum tipo de informação privilegiada de que os agentes da Polícia Federal chegariam ao seu nome, não sabemos, ainda. O que se sabe é que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, é muito próximo do presidente Lula e costuma avisar o presidente sobre algumas operações com certa antecedência.
Lula, Andrei Rodrigues e Flávio Dino / Foto: Agência Brasil
O deputado também não poupou o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Segundo Gaspar, a operação da Polícia Federal para buscar mais armas e munições na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro ocorreu mesmo após a defesa do ex-presidente ter entregue todas as armas à polícia. Ainda assim, afirmou Gaspar, o ministro autorizou a operação para humilhar o ex-mandatário.
Segundo as falas do deputado, o ministro atua com abuso de autoridade, o Brasil não possui democracia plena e Alexandre de Moraes teria responsabilidade por esse cenário.
Vivi Barci e Alexandre de Moraes / Foto: Albino Oliveira – Ascom MDA
“É uma cortina de fumaça porque os ministros do STF estavam lá, com Vorcaro, a família do Moraes teve um contrato de 129 milhões com o banco Master, Toffoli vendeu o resort com dinheiro do Master. Sabe o que é que vai acontecer? Nada!”, disse o deputado.
É, parece que a tal “democracia relativa” tem funcionado muito bem para alguns, enquanto a maior parte da população brasileira vive sob a miséria e o rigor da lei.
Rodolfo Aiello (MTB 97.613-SP) é jornalista, fundador e colunista do NARRAPODER. Acumula sólida experiência na cobertura e na área governamental. É Doutor Honoris Causa pela Academia de Letras do Brasil (ALB-SP) e cursou Marketing pela FAE Centro Universitário (Curitiba).