Segundo fontes de Brasília, o que se ouve nos bastidores do poder é que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, alimenta uma ambição e possui um plano audacioso, que seria colocado em prática no momento considerado mais oportuno, com o aval do atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Andrei Rodrigues é homem de confiança do presidente e, não por acaso, foi escolhido para comandar a Polícia Federal, a mesma instituição que prendeu Lula em 7 de abril de 2018, após sua condenação em segunda instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do Triplex do Guarujá, no âmbito das investigações da Operação Lava Jato.
Após ter suas condenações anuladas pelo STF, em razão do reconhecimento da incompetência territorial da Justiça Federal de Curitiba e da parcialidade do então juiz Sérgio Moro em um dos processos, Lula passou a manifestar, em diversas ocasiões, o desejo de responsabilizar aqueles que, segundo ele, promoveram sua perseguição, incluindo integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato e adversários políticos.
Lula não foi absolvido nem declarado inocente nos processos cujas condenações foram anuladas. Sua elegibilidade foi restabelecida em decorrência das decisões do Supremo Tribunal Federal. Em entrevista recente, o ministro Gilmar Mendes afirmou que Lula “voltou ao jogo político” graças às decisões do STF.
A sociedade brasileira teve que engolir isso e ver um ex-presidiário assumir o poder novamente, após recuperar seus direitos políticos e receber o que muitos interpretaram como um quase pedido de desculpas do Poder Judiciário.
De volta a Brasília, ou à cena do crime, como seu atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, certa vez afirmou, Lula tomou o cuidado de colocar alguém muito próximo a ele para comandar a Polícia Federal. Andrei Rodrigues estreitou sua relação com Lula durante a campanha de 2022, ao ser escolhido para chefiar sua segurança pessoal.

Foto: PR/Ricardo Stuckert
Em abril de 2020, Bolsonaro escolheu o ex-deputado federal Alexandre Ramagem para assumir o comando da Polícia Federal como diretor-geral. No entanto, poucas horas antes da posse, o ministro do STF Alexandre de Moraes suspendeu o decreto de nomeação, atendendo a uma ação apresentada pelo PDT.
Reparem que, naquele momento, a perseguição política a Bolsonaro estava apenas no início e culminaria em sua completa eliminação do cenário político.
Bolsonaro foi acusado de tentar nomear Ramagem para atender a interesses pessoais. Mas e Lula? Andrei não defende os interesses dele dentro da PF? Seu filho, Lulinha, foi citado em acusações relacionadas ao escândalo do INSS após uma testemunha afirmar, durante a CPI, que ele recebia pagamentos mensais de R$ 300 mil do chamado “Careca do INSS” e que seria seu sócio oculto.
O que disse o atual diretor-geral da Polícia Federal de Lula sobre a possibilidade de Lulinha ter que ser investigado?
“Infelizmente, surgiu essa possibilidade.”
Recentemente, o delegado que estava à frente das investigações envolvendo Lulinha foi substituído de forma inesperada, e lá se foi uma investigação que já estava avançada. Mas quem tinha pretensões pessoais com a Polícia Federal era Bolsonaro. Moraes se cala diante desse abuso? Sim. Nenhuma palavra. Tudo dentro da normalidade de um Estado Democrático de Direito e da “harmonia” entre os Poderes.
Segundo levantamento do portal de notícias Poder360, Andrei Rodrigues acompanhou Lula em 19 viagens internacionais, permanecendo 81 dias fora do Brasil. De uma coisa eu tenho certeza: eles tiveram muito tempo juntos para conversar sobre tudo. Combate ao crime organizado? Bem, disso eu tenho minhas dúvidas. Ambos defenderam que as organizações criminosas PCC e Comando Vermelho (CV) não fossem classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas.
O que eu ouvi é que Andrei sonha em ser ministro da Segurança Pública, caso o Ministério da Justiça e Segurança Pública seja dividido. Ele seria o primeiro nome de Lula para o cargo. No entanto, haveria um problema a ser resolvido: esse também é o sonho de alguns deputados da base governista oriundos das forças policiais.
Se o caso Lulinha terminar em pizza e Lula for reeleito, o atual diretor-geral da Polícia Federal certamente será ministro da Segurança Pública em 2027. Alguns dizem que existe a possibilidade de Lula passar uma rasteira em Andrei Rodrigues, caso tenha algum “companheiro” na manga mais alinhado ao partido.



